RSS

Brasil tem o maior número de fatalidades com tratores e implementos agrícolas no campo

27 nov

A mesma máquina que facilita o trabalho no campo se tornou uma das causas mais frequentes de acidentes e mortes no campo. Tratores e implementos agrícolas, quando utilizados sem a observação das normas de segurança, são a principal causa de fatalidades.

Conforme a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Brasil é líder em número de acidentes fatais com esses equipamentos no meio rural. São cerca de 3 mil mortes por ano no país. E a cada três acidentes ocorridos, um ocasiona a incapacidade permanente do trabalhador. Geralmente, o excesso de confiança, a imprudência e a falta de treinamento estão por trás das tragédias.

– Eu não morri por milagre – conta o agricultor Osvaldo Otto, 61 anos, que em agosto sofreu acidente com o trator novo.

Com o distribuidor de esterco acoplado à máquina, o implemento caiu em um buraco na lavoura em declive, na propriedade de 60 hectares em Barão de Cotegipe, no norte do Estado. O distribuidor puxou a máquina para trás e o trator tombou. Sem cinto de segurança, o agricultor foi arremessado.

Um dos poucos instrutores de operação de máquinas agrícolas dos Centros de Formação de Condutores (CFCs) no Estado, Osvaldo Rodrigues Júnior diz que os acidentes mais graves ocorrem justamente quando há queda ou capotagem do veículo.

– Na hora em que a máquina tomba, joga para fora o operador, que pode acabar embaixo do trator – explica Rodrigues Júnior.

O uso do equipamento em terrenos de aclive ou declive acentuado é outro fator de risco. Como a parte da frente é mais leve que a traseira, há o perigo de da máquina cair. Conforme Júnior, além de ignorar o aclive acentuado, muitos produtores ainda tomam atitudes perigosas na tentativa de estabilizar a máquina.

– Colocam bolsas de cimento e até pedaços de ferro na frente do trator para dar estabilidade e impedir a queda e, às vezes, o acidente é pior.

A mecanização das lavouras tornou mais rápido e eficiente o trabalho de milhares de agricultores brasileiros. A tecnologia permite que as avançou a ponto de algumas máquinas se parecerem com computadores.

Hoje, tratores e colheitadeiras já vêm de fábrica com equipamentos de segurança capazes de reduzir acidentes e evitar fatalidades. No entanto, a maior parte dos produtores rurais ignora as recomendações e corre riscos desnecessários.

– As máquinas evoluíram, mas a exigência de treinamento de quem vai operar e a fiscalização das normas não acompanharam – avalia o produtor e revendedor de máquinas agrícolas Isaquel Poletto, de Erechim.

Poletto aponta como um dos maiores problemas a falta de divisão das máquinas em categorias. A exigência para operar um trator básico é a mesma para uma colheitadeira de grande porte.

Atualmente, para dirigir máquinas agrícolas, é preciso ter carteira de habilitação categoria C. No entanto, os CFCs não têm treinamento específico para quem vai dirigir trator.

A orientação acaba saindo da revenda, obrigada a repassar os detalhes do equipamento. É assim que o técnico agrícola e especialista de gestão em agronegócios Leandro Rotava entrega os tratores na revenda onde trabalha em Erechim. Manual do veículo na mão, repassa toda a parte técnica e não se cansa de repetir as normas de segurança.

O perigo dos acidentes no campo não está só na queda de máquinas. A maioria dos implementos é dotada de muitas lâminas, facas e engrenagens capazes de mutilar.

– Uma proteção plástica vem de fábrica com o equipamento, mas é a primeira coisa que o produtor tira quando compra – conta Rotava.

Projeto quer mudar exigências para agricultores

A proposta do deputado federal Alceu Moreira (PMDB-RS) prevê habilitação categoria B e curso de formação profissional em substituição à exigência atual da habilitação categoria C – a mesma solicitada para dirigir caminhão. Para solicitar a carteira nesta categoria, hoje, o motorista precisa antes ter a habilitação B, aguardar um ano da permissão provisória, para só então solicitar a C.

– Isso faz com que a pessoa só dirija um trator depois de pelo menos um ano de experiência na direção de veículos automotores e curso específico para transporte de veículos de grande porte – salienta o instrutor Osvaldo Rodrigues Júnior.

No entendimento do deputado, no entanto, a legislação atual não condiz com a realidade e exclui profissionais experientes que só usam as máquinas na propriedade ou em trajetos curtos nas estradas.

– Os acidentes acontecem dentro das propriedades, onde a polícia não tem como fiscalizar. Eles não são ameaça à segurança do trânsito, até pela lentidão dos veículos agrícolas – explica Moreira.

O projeto foi aprovado pela Comissão de Viação e Transporte da Câmara e será avaliado pela Comissão de Constituição e Justiça. Se aprovado, vai para o Senado. A redução de exigência vale só para produtores e máquinas agrícolas. Para veículos de carga, terraplenagem ou pavimentação, os condutores continuariam com a exigência da carteira C, D ou E.

Para evitar acidentes

Especialistas ensinam como reduzir riscos:

— Use os equipamentos obrigatórios de proteção – botina, capacete (para tratores sem estrutura anticapotamento), colete refletivo, protetor auricular (para trator sem cabine), luva de couro, óculos de proteção e roupa apropriada.

— Confira o nível do óleo do motor, água, possíveis vazamentos, funcionamento dos freios e condições dos pneus.

— Verifique o terreno onde vai trabalhar. Quanto maior o trator, maior o risco de uma queda. Se a área estiver muito molhada, espere secar, pois o terreno pode ceder, ou ficar escorregadio a ponto de desestabilizar a máquina.

— Use sempre o cinto de segurança. Se o trator tombar, não tente pular fora, a estrutura anticapotamento do trator é construída para suportar todo o peso da máquina.

— Nunca mexa nas engrenagens da máquina sem desligar e tirar a chave de segurança da ignição.

— Não exceda a capacidade do equipamento, acoplando implementos maiores do que o trator é capaz de suportar.

— Não permita o uso do veículo por pessoa não habilitada e sem experiência, principalmente por crianças. Também não dê caronas.

— O trator não é meio de transporte para ir a bailes ou cidades, use estritamente no trabalho.

Fonte: Zero hora

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: